domingo, 14 de setembro de 2008

Quem somos?

''O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente''

(PESSOA, FernandoAUTOPSICOGRAFIA)

Os poetas fingem ser pessoas que não são, ou apenas realizam grandes transformações para realizar seus poemas. Alguns conseguem fazer poemas maravilhosos, outros nem tanto.
Não só os poetas, mas também pessoas que nos rodeiam, as que confiamos, ou até mesmo sempre duvidamos, acredito que todos nós, claro que me incluo, temos varias faces e fazes, que sempre mudamos conforme a ''lua''.
As pessoas mudam conforme a sua companhia, com seu humor, e diferentes situações que Deus nos coloca. Como cada dia temos surpresas diferentes, criamos uma mascara nova a cada dia, cada hora de nossos dias. Assim achamos que estamos formando opiniões, mas no fundo estamos nos mascarando e copiando o que os outros querem que sejamos.

sábado, 23 de agosto de 2008

José

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
(DRUMMOND,Carlos)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Se não houvesse montanhas!


Se não houvesse montanhas!
Se não houvesse paredes!
Se o sonhos tecesse malhas
e os braços colhessem redes!


Se a noite e o dia passassem
como nuvens, sem cadeias,
e os instantes da memória
fossem vento nas areias!


Se não houvesse saudade,
solidão nem despedida...
Se a vida inteira não fosse,
além de breve, perdida!


Eu tinha um cavalo de asas,
que morreu sem ter pascigo.
E em labirintos se movem
os fantasmas que persigo.



(MEIRELES, Cecília. Se não houvesse montanhas! In:_____
obra poética.1 ed. Rio de Janeiro, Aguilar, 1958.p. 905)




segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Apresentação

Uma viajante do tempo perdida em meu espaço.
Tentando relembrar o passado perdido em meus longos e vazios dias, em uma história sem fim ou sem sinal de um começo. Uma vida esquecida em algum lugar do Universo. Longe dos acontecimentos possíveis, e perto do improvável.
Em fim procurando descobrir o mundo através do lindo passado terrestre. Pela antiga arquitetura greco romana, européia , pelas artes esculpidas em paredes esquecidas, e até mesmo em belíssimas formações naturais.