sábado, 23 de agosto de 2008

José

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
(DRUMMOND,Carlos)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Se não houvesse montanhas!


Se não houvesse montanhas!
Se não houvesse paredes!
Se o sonhos tecesse malhas
e os braços colhessem redes!


Se a noite e o dia passassem
como nuvens, sem cadeias,
e os instantes da memória
fossem vento nas areias!


Se não houvesse saudade,
solidão nem despedida...
Se a vida inteira não fosse,
além de breve, perdida!


Eu tinha um cavalo de asas,
que morreu sem ter pascigo.
E em labirintos se movem
os fantasmas que persigo.



(MEIRELES, Cecília. Se não houvesse montanhas! In:_____
obra poética.1 ed. Rio de Janeiro, Aguilar, 1958.p. 905)




segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Apresentação

Uma viajante do tempo perdida em meu espaço.
Tentando relembrar o passado perdido em meus longos e vazios dias, em uma história sem fim ou sem sinal de um começo. Uma vida esquecida em algum lugar do Universo. Longe dos acontecimentos possíveis, e perto do improvável.
Em fim procurando descobrir o mundo através do lindo passado terrestre. Pela antiga arquitetura greco romana, européia , pelas artes esculpidas em paredes esquecidas, e até mesmo em belíssimas formações naturais.